10 psicólogas negras que lutam por um mundo livre do racismo

Autor: SINDYPSI Data da postagem: 16:48 27/08/2018 Visualizacões: 8110
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Rede Dandaras lança Mapeamento de Psicólogas Negras contra racismo, machismo e LGBTfobia no Brasil / Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil - Reprodução - SINDYPSI

Representatividade importa. Principalmente na área da Psicologia, marcada pela resistência ao debate sobre o racismo e suas implicações psicossociais. Pensando nisso, o Sindicato dos Psicólogos do Paraná (Sindypsi PR) preparou uma lista de psicólogas negras que atuam ou atuaram de forma relevante no combate ao racismo e a opressões de raça, gênero e sexualidade. É uma singela homenagem às mulheres negras da Psicologia nesse 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

Confira:

Luciene Lacerda

Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1985), tem Especialização em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana pelo Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Fundação Oswaldo Cruz (1992) e Mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002). É pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atuando principalmente nos temas sobre trabalho, assédio moral, sofrimento, assédio racial, assédio de gênero, saúde do trabalhador e saúde da população negra. Além disso, Luciene integra o Instituto Búzios, na coordenação de ações feministas. Neste ano, Luciene recebeu, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a medalha Chiquinha Gonzaga por conta de sua dedicação à organização da Marcha de Mulheres Negras 2015.

Edna Roland

Graduou-se em Psicologia em 1972 na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no período de recrudescimento da Ditadura Militar brasileira. Militou no movimento estudantil quando era proibido até fixar cartazes nas paredes. Viveu por cinco anos na clandestinidade por conta de perseguição política. Com a abertura política, retomou os estudos no Mestrado em Psicologia Social da PUC-SP com um trabalho sobre a relação entre patroas e empregadas domésticas, o que a levou a estabelecer uma relação orgânica com o Movimento Negro. Fundou quatro importantes organizações negras, entre elas o Géledes – Instituto da Mulher Negra, em 1988. Dez anos depois, foi pesquisadora visitante no Harvard Center for Population and Development Studies. Foi coordenadora de Combate ao Racismo e à Discriminação Racial da UNESCO e, atualmente, é coordenadora da secretaria de Igualdade Racial da Prefeitura de Guarulhos.

Maria Luísa Pereira de Oliveira

É psicóloga pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), licenciada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), especialista em violência doméstica contra crianças e adolescentes pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Saúde Coletiva pela UNISINOS. Também é especialista em Ética, Educação e Direitos Humanos. Atualmente, é integrante da ONG Sempre Mulher – Instituto de Pesquisa e Intervenção sobre Relações Sociais. Como pesquisadora, busca compreender os efeitos da discriminação racial na construção de identidades e modos de subjetivação de mulheres negras.

 

Jaqueline Gomes de Jesus

Psicóloga e doutora em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações pela Universidade de Brasília (UnB), Jaqueline atua no combate às discriminações. Começou sua militância em direitos humanos em 1997, a partir do Estruturação – grupo LGBT de Brasília, do qual foi secretária e, em 1999, assumiu a presidência. Em 2000, ajudou a fundar a Associação de Acadêmicos Gays, Lésbicas e Simpatizantes do Brasil (AAGLS) e a ONG Ações Cidadãs em Orientação Sexual (ACOS), ambas voltadas para o público LGBT, mesmo público-alvo do programa de rádio “Beijo Livre”, comandado por Jaqueline, que tinha o objetivo de valorizar a cultura desse segmento da população. Ajudou a construir a Federação LGBT do Distrito Federal e Entorno e participou ativamente da efetivação do Sistema de Cotas para Negros da UnB. Como pesquisadora, Jaqueline se atém à gestão da diversidade e dos movimentos sociais, a partir do enfoque das políticas identitárias envolvendo gênero, orientação sexual e cor/etnia. Atualmente é pesquisadora da Universidade de Brasília, na área de Psicologia Social e do Trabalho, e leciona em diferentes instituições de ensino particulares, sendo frequentemente convidada para palestras, em todo o Brasil, sobre temas como gênero, diversidade, identidade, trabalho e movimentos sociais.

Maria Lúcia da Silva

Psicóloga e psicoterapeuta, Maria Lúcia é especialista em trabalhos com recortes de gênero e raça. É diretora-presidente do Instituto AMMA – Psique e Negritude, que desenvolve suas atividades privilegiando uma abordagem psicossocial no tratamento da exclusão, particularmente da discriminação racial. Também é coordenadora geral da Articulação Nacional de Psicólogas(os) Negras(os) e Pesquisadoras(os) de Relações Raciais e Subjetividades (ANPSINEP) e participa como empreendedora social da Ashoka Brasil. Como pesquisadora, aborda o racismo brasileiro sob a ótica psicossocial e o impacto do preconceito no desenvolvimento dos sujeitos negros.

Maria Aparecida Silva Bento

Graduada em Psicologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Farias Brito em 1977, mestre em Psicologia (Psicologia Social) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(1992) e doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo(2002), Maria Aparecida Silva Bueno é, atualmente, Diretora Executiva do Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), organização não-governamental que produz conhecimento, desenvolve e executa projetos voltados para a promoção da igualdade de raça e gênero. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do Desenvolvimento Humano.Atua nas temáticas de ações afirmativas, identidade étnica, discriminação no trabalho, administração de recursos humanos e preconceito.

Jussara Dias

Psicóloga formada em psicodrama pelo Centre International de Psychothérapie Expressive (CIPE) em Yamachiche, Quebec. Psicoterapeuta – clínica psicanalítica. Coordena o Núcleo de Formação do Instituto AMMA Psique e Negritude, organização não governamental cuja atuação é pautada pela convicção de que o enfrentamento do racismo, da discriminação e do preconceito se faz necessariamente por duas vias: politicamente e psiquicamente, tendo por missão desenvolver estratégias para identificação, elaboração e desconstrução do racismo e seus efeitos psicossociais.

Virgínia Leone Bicudo (1915 – 2003)

Virgínia é reconhecida como a pioneira do debate do racismo na academia. Psicanalista negra, foi a primeira brasileira a ser credenciada pela Associação Internacional de Psicanálise. Em 1945, defendeu a tese “Estudo das Atitudes Raciais de Pretos e Mulatos” em São Paulo, na Escola Livre de Sociologia e Política. Em 1953, redigiu o relatório “Atitudes dos Alunos dos Grupos Escolares em Relação à Cor de Seus Colegas”, publicado na Revista Anhembi. Foi presidenta do Instituto de Psicanálise e uma das criadoras do Jornal da Psicanálise e da Revista Brasileira de Psicanálise. Reconhecida também como socióloga, Virgínia foi essencial para a difusão social da psicanálise no Brasil.

Neusa Santos Sousa (1948 – 2008)

Psicanalista nascida na Bahia e radicada no Rio, Neusa mesclou como poucos a psicanálise e a militância antirracista. É autora do clássico livro “Torna-se Negro”, que reflete sobre a árdua e dolorosa reafirmação da negritude em um sociedade marcada pelo racismo e pelo embranquecimento. Além disso, foi cronista e articulista em jornais e revistas, como o Correio da Baixada, voltado para a população da Baixada Fluminense.

Maria da Conceição Nascimento

Conselheira do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, Maria da Conceição é coordenadora do Grupo de Trabalho Integrado em Psicologia e Relações Étnico-Raciais, Diversidade Sexual e Identidades de Gênero da Comissão Regional de Direitos Humanos do CRP-RJ. Representa o Conselho na Articulação Nacional de Psicólogas (os) Negras (os) e Pesquisadoras (es) de Relações Raciais e Subjetividades (ANPSINEP).

 

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Além destas importantes mulheres, uma nova geração de psicólogas negras vem tomando a Psicologia pelas mãos, como instrumento de resistência ao racismo e à violência machista. Mulheres como Lumena Aleluia, Clélia Prestes, Gláucia Fontoura, Simone Cruz, Jarid Arraes, Michelly Ribeiro, Crisfanny Soares e Rafaela Mayer, dentre tantas outras, cumprem o louvável papel de construir um arcabouço teórico e metodológico profundamente conectado com a realidade social brasileira, consolidando uma perspectiva emancipatória e dignificante para a Psicologia.

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