Índio Galdino foi queimado vivo por cinco rapazes em Brasília, em abril de 1997

Autor: Redação O Globo Data da postagem: 17:30 20/04/2017 Visualizacões: 1316
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Monumento construído em homenagem ao índio Galdino Jesus dos Santos, que foi incendiado enquanto dormia / Foto: G1 - Globo.com

Pataxó dormia num ponto de ônibus quando foi atacado por jovens de classe média alta

O pataxó Galdino Jesus dos Santos foi queimado vivo quando dormia num ponto de ônibus da Avenida W3 Sul, em Brasília, na madrugada de 20 de abril de 1997. Em sua homenagem, o local passou a ser conhecido como Praça do Índio e ganhou uma escultura do artista Siron Franco. Em 2001, quatro jovens que participaram do crime — Max Rogério Alves, Eron Chaves de Oliveira e Antônio Novely Villanova, de 19 anos; e Tomáz Oliveira de Almeida, de 18, — foram condenados a 14 anos de prisão, mas foram libertados em dezembro 2004. O quinto envolvido, Gutemberg de Almeida, era menor de idade e cumpriu punição de três meses numa instituição.

Galdino, de 44 anos, chegou a ser levado para o hospital, com 95% do corpo queimados, mas morreu horas depois. Ele estava na capital para festejar o Dia do Índio. Naquele dia, chegou tarde à pensão onde estava hospedado e foi impedido de entrar. Sem opção, adormeceu no banco do ponto de ônibus. Os réus disseram achar que ele era um mendigo e alegaram ter feito "apenas uma brincadeira" ao despejar um litro de gasolina sobre o homem e atear fogo. Só foram localizados porque uma testemunha perseguiu o grupo e anotou a placa do carro.

Em 2002, Tomás, Eron e Antônio conseguiram autorização da Justiça para trabalhar. O benefício do regime semi-aberto foi concedido porque os condenados já haviam cumprido um terço da pena. A autorização era para que saíssem do presídio exclusivamente para trabalhar e estudar, mas uma reportagem do "Correio Braziliense", publicada em 2003, mostrou Antônio, Max e Eron dirigindo, namorando e bebendo nos bares de Brasília. O semi-aberto foi revogado, mas, pouco depois, os estudantes voltaram a garantir o benefício.

Antônio é filho do juiz federal Novely Villanova da Silva Reis. Max Rogério é enteado do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Valter Medeiros. Os pais de Eron e Tomáz eram funcionários públicos. Gutemberg deveria cumprir uma pena socioeducativa de três anos, mas a Justiça considerou a punição severa e botou o rapaz em liberdade.

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