NA MINHA PELE

Autor: Por Edson Cadette do Blog Lado B NY Data da postagem: 19:00 11/01/2019 Visualizacões: 560
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Lázaro Ramos no papel de Madame Satã (2002) - Foto: Divulgação - Reprodução
Na Minha Pele, do multitalentoso Lázaro Ramos, não pode ser considerado um livro de memórias porque não está ligado a uma época específica da vida do ator como por exemplo, o período em que ele trabalhou dentro do Bando de Teatro Olodum, na cidade de Salvador, local onde aprendeu todas as técnicas de atuação que utiliza até os dias de hoje. Ao contrário, o livro que começa na pequena Ilha de Paty, no interior da Bahia, na década de oitenta, termina com passagens na zona sul do Rio de Janeiro, onde Lázaro testemunha ao lado dos filhos a ação policial contra jovens negros num espaço que certamente não os pertence. A obra pode ser usada como fonte de inspiração para jovens em geral, principalmente negros que enxergam no ator uma pessoa sem medo de falar o que realmente pensa sobre a disparidade racial no Brasil.
 
É um livro pequeno e bastante fácil de ser lido, poderíamos chamar de uma leitura tranquila, que poderia ser feita num voo entre o Rio de Janeiro e Nova York. Você não terminará a leitura dizendo que o Brasil é um país altamente racista – algo que não é mencionado em nenhum momento -, ou irá dizer a uma pessoa branca que ela faz parte do racismo institucional. Tão pouco falará com seu amigo branco sobre o que ele realmente acha da condição socioeconômica do negro no país e questionar se está diretamente ligada com a duradoura escravidão brasileira.
 
Apesar das micro agressões diárias que sofria, principalmente antes de ser catapultado para o estrelato no final dos anos noventa, Lázaro Ramos jamais usou delas ou do racismo latente como impedimento para suas realizações pessoais de ator.
 
Lázaro fala de atores importantes da dramaturgia brasileira como Ruth de Souza, Milton Gonçalves, e Lea Garcia, que de certa maneira abriram um caminho para o seu sucesso. Ele cita também livros, ativistas e músicos importantes do início dos anos 2000 que estavam mudando o discurso no debate racial brasileiro.
 
Para escapar do racismo diário ele acredita que o núcleo familiar é essencial e ressalta a importância que sua enorme família teve na sua formação como pessoa. Acreditando nesta socialização, o ator se casou e mantém uma parceria que já dura mais de dez anos com a também atriz Taís Araujo.

Na Minha Pele é um livro importante para debater questões raciais no Brasil e o autor usa sua voz para chamar atenção ao fato de que o negro já nasce com uma enorme barreira devido a própria história do país. A grande mensagem desta pequena, mas importante obra, é que Lázaro Ramos deseja estar na normalidade, e não na exceção dos negros brasileiros.

 

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