Longa 'Temporada' discute injustiça social e racismo nas entrelinhas

Autor: Naief Haddad Data da postagem: 15:00 07/11/2018 Visualizacões: 176
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Grace Passô em cena do filme "Temporada", de André Novais de Oliveira, vencedor do Festival de Brasília / Foto: Thiago Macêdo Correia - Divulgação - Reprodução - Folha de S. Paulo

Com o novo filme, diretor André Novais dá um passo adiante em um percurso promissor

André Novais desponta como um dos diretores notáveis do novo cinema mineiro.

Seu primeiro longa, “Ela Volta na Quinta” (2015), já havia sido bem recebido pela crítica.

“O cinema da afetividade e da economia encontra nesse pequeno e comovente filme [“Ela Volta...”] talvez uma de suas mais autênticas expressões”, escreveu o crítico e curador Cléber Eduardo no recém-lançado “Nova História do Cinema Brasileiro” (ed. Sesc).

No novo “Temporada”, Novais dá um passo adiante em um percurso promissor. Custa crer, aliás, que o diretor tenha só 34 anos.

O arranjo minimalista expõe sutilezas de toda a ordem. Vai se frustrar, portanto, quem busca um cinema de sobressaltos. Sob uma camada de acontecimentos triviais, há uma outra, mais sedimentada, rica em sinais —a emoção contida, o humor despretensioso, a solidão no núcleo familiar e urbano.

“Temporada” acompanha Juliana (Grace Passô), que deixa a pequena Itaúna, no interior de Minas, para trabalhar no combate a endemias em Contagem, cidade que integra a Grande Belo Horizonte.

Seu marido não a acompanha na mudança, e Juliana não sabe quando irá encontrá-lo. Por outro lado, ela se aproxima dos colegas de trabalho, o que não é simples dado o seu temperamento retraído.

O fato de Oliveira ser um diretor negro merece reflexão à parte. Em um país racista como o nosso, poderia se esperar dele uma obra de denúncia explícita contra a discriminação, o que seria, claro, uma iniciativa legítima.

Em “Temporada”, porém, estão nas entrelinhas os gestos de preconceito enfrentados pelos personagens negros. Ao seu modo, revelando a eloquência escondida nos sussurros, o diretor discute a injustiça racial.

E se não tivesse outros méritos, o filme já valeria pela interpretação de Grace Passô. Atriz de carreira sólida no teatro, ela está soberba como a protagonista. 

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