‘Meu pai me ensinou que temos que enriquecer a nossa cultura’

Autor: Carmen Lúcia Data da postagem: 17:00 12/03/2018 Visualizacões: 1354
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‘Meu pai me ensinou que temos que enriquecer a nossa cultura’ / Imagem: Reprodução - Vem Divante

Quando a referência começa dentro de casa, o caminho para se tornar um homem negro orgulhoso de seus traços fica um pouquinho menos árduo. Rubens Junior, de 23 anos, ostenta hoje uma vasta cabeleira e conta ao blog ‘Vem, Divante’ que sua primeira e principal referência  foi seu pai, Marcio Reis. “Eu usava o cabelo raspado quando eu era criança. Minha mãe não gostava dele grande, dizia que homem tinha que usar cabelo curto. Mas a minha primeira influência na vida foi o meu pai.  Ele usava black power desde os 18 anos e eu achava isso o máximo”, lembra.

Mesmo tendo seu herói dentro de casa com as características semelhantes as dele, Rubens também teve que lidar com as dificuldades que os padrões de beleza estabelecem, principalmente na escola. “Eu me recordo que nesta época, eu queria ter cabelo liso. Todos eram assim. As meninas gostavam dos loiros de olho azul, esses eram os considerados bonitos. Aí, lá pela sexta série, eu comecei a passar um produto pra alisar o cabelo. Tentava muito, mas ele não ficava liso. Isso me gerava uma grande frustração”.

Mas, a dificuldade de aceitação passou na adolescência e deu lugar a um cabelo crespo bafônico. “Lá pelos 15 anos, eu decidi fazer tranças. Falei com a minha mãe que não ia mais cortar o cabelo. Assim que ele cresceu um pouquinho, eu fiz tranças. Depois fiz dread e depois eu soltei o black.  Meu pai sempre bateu na tecla de que a gente tem que enriquecer a nossa cultura. Temos que ler e enaltecer a nossa história”.

E Rubens ouviu mesmo cada palavra de seu pai. Hoje ele é modelo, empresário e youtuber e já sabe exatamente o que quer no futuro. “Eu tenho um apego pelo meu cabelo. Conheci muita gente através do meu cabelo e muitas pessoas começaram a se inspirar em mim. Sei que tem gente que tem dificuldade de arrumar emprego por conta do cabelo black, por isso, pretendo um dia ser dono de uma empresa e contratar vários irmãos e irmãs negros para que eles possam trabalhar tendo o estilo deles”.

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