UESPI realiza debate sobre inserção de políticas de reparação à comunidade negra em alusão ao 13 de maio

Autor: Vanderson de Paulo Data da postagem: 14:30 18/05/2017 Visualizacões: 156
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Representantes das administração superior e de órgãos públicos estiveram na solenidade / Foto: Vanderson de Paulo - UESPI

O negro no Brasil enfrenta diversas situações de discriminação. Nessa direção, a Universidade Estadual do Piauí, por meio da Pró-reitoria de Extensão, Assuntos Estudantis e Comunitários – PREX, em parceria com Entidades de Movimentos Negros, iniciaram na manhã desta terça (16), abertura oficial da programação especial em referência ao 13 de Maio. A solenidade aconteceu no auditório do Palácio Pirajá, em Teresina. O evento propôs discutir políticas de inserção do povo negro na sociedade brasileira e contou com a realização de debates, mesa redonda, apresentações culturais e homenagens.

A Vice-reitora da UESPI, Profa. Dra. Bárbara Melo abriu a solenidade falando sobre o papel da academia em trazer reflexões de conjunturas tão importantes como a que foi proposta. Também esteve presente o Reitor Nouga Cardoso que discursou elogiando a todos que tem abraçado a luta do povo negro. Na ocasião estiveram presentes todos os representantes de grupos negros de Teresina.

O  Prof. Especialista e palestrante Josué Carlos, ex-egresso da UESPI, contribuiu em sua fala sobre dados relacionados a juventude negra, política de cotas e relatou ainda sobre dados estatísticos de homicídios.  A professora Francisca Nascimento proferiu sobre políticas educacionais advindas da década de 70 até a atualidade nas mudanças de paradigmas. Ilmar Batista, Representante de movimento quilombola,  explanou sobre a cultura quilombola no Brasil fazendo um apanhado histórico da relação das comunidades quilombolas que resistem apesar do esquecimento da sociedade. Fechando a mesa-redonda, a Profa. Dra. Conceição de Maria de Sousa, refletiu no surgimento dos movimentos negros, da imprensa negra, da militância feminina negra.


Professor especialista José Carlos abriu a mesa-redonda

Com o tema “Abolições? Existência, Resistência e Desafios”, o encontro visou também apresentar relatos de políticas públicas voltadas à garantia dos princípios de reparação, do reconhecimento e da valorização da comunidade negra ao debate aberto na atualidade. Pensando nisso, a UESPI vem manifestando seu esforço na luta contra as discriminações elucidando a realidade social de forma cívica.

O dia 13 de maio marca os 129 anos de assinatura da Lei Áurea, conhecida por ter libertado os escravos após 388 anos de escravidão. Entretanto, a data não costuma ser considerada motivo de comemoração. Para o Pró-reitor da PREX, Prof. Dr. Raimundo Dutra, a libertação não veio acompanhada de políticas de inserção dos negros na sociedade da época. “Essa abolição de fato existiu?”, questiona Raimundo Dutra, acrescentando que “foi para isto que, desde o início desta gestão, iniciamos essa discussão sempre imanados com as entidades que representam o movimento negro como também as entidades ligadas aos direitos humanos”.

Mulher Negra

A professora Conceição de Maria de Sousa, membro do Fórum de Entidades Negras, explica que as mulheres negras são as mais discriminadas na sociedade. “O movimento de mulheres no Brasil não discutia pautas específicas, mas pautas gerais e as mulheres negras eram discriminadas. Criou-se então o movimento de mulheres negras na década de 80 que tinha pauta especifica das questões relacionada à mulher, envolvendo as lutas de trabalhos”, ressalta.


Integrante do Movimento Negro

A professora destaca que, apesar da dupla jornada ser um problema de todas as mulheres, as negras são as que mais sofrem, pois estão em uma posição de “matriz da opressão”. “Ela é oprimida por ser mulher, por pertencer a uma classe social subjugada e também por ter a raça negra. A mulher negra e de modo geral tem a sobrecarga recorrente da atualidade, que é a dupla jornada de trabalho, assédios, discriminação, violência”, finalizou.

Homenagens a heroínas negras

A solenidade contou com acaloradas homenagens a personalidades que se destacam na luta pelos direitos negros no Estado. Lidia Maria Trindade, mãe da Deputada Francisca Trindade, de 88 anos, foi uma das homenageadas. Segundo ela, a homenagem que recebeu também foi dedicada a sua filha.

Antônia Dias de Oliveira e Lídia Maria Trindade foram homenageadas pelo trabalho desenvolvido em prol de causas sociais

As atividades do evento foram finalizadas com atrações culturais e o lançamento da programação alusiva ao 13 de Maio que se estenderão até o mês de setembro de 2017. Em junho, será realizado uma programação em praça pública. Julho será lançado o programa “Seletinia”. Em agosto ocorre a conferência dos direitos do cidadão negro e a programação, em setembro, será finalizada com o seminário sobre a escrava Esperança Garcia, símbolo da luta contra a escravidão no Piauí.

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