Cultura que herdamos dos índios

Autor: Tauana Marin Data da postagem: 11:45 18/04/2016 Visualizacões: 83447
Curta a nóticia:
Curta o CEERT:

Você sabe dizer por que temos o hábito de tomar banho todos os dias? Ou por que gostamos de comidas à base de milho, mandioca, batata-doce, palmito e frutas, como o guaraná? Esses e muitos outros costumes foram herdados dos índios, os primeiros habitantes do Brasil.

Eles também nos presentearam com a rede, a canoa e a jangada, entre outros itens. Transformam argila em utensílios e deram origem a muitas palavras do nosso vocabulário, como pipoca, gambá e Sergipe, além de nos ensinar a como retirar da natureza as plantas, que foram transformadas em remédios.

É por essas e tantas outras razões que na terça-feira, dia 19 de abril, comemora-se o Dia do Índio. “Eles merecem respeito, principalmente porque estavam no Brasil muito antes do País ser descoberto pelos portugueses”, afirma Daniel Dammann, 9 anos, de São Bernardo. “É um povo que deu origem à nossa cultura. Herdamos muitos costumes, não tem como esquecer”, comenta Hadassa Tavares Santos, 10.

Os amigos estudam no Centro Educacional Jean Piaget, em São Bernardo. Lá, em meio às árvores e hortas, aprendem um pouco sobre o tema. “Gosto da forma que eles pintam o rosto e o corpo. E o mais legal é que utilizam frutas para fazer as tintas”, explica Gabriel Gonzalez, 6, que mora em São Paulo, mas estuda na escola da região. “Hoje, muitos índios já se vestem como nós e moram em casas parecidas. Nem sempre dá para reconhecê-los.”

Há no Brasil cerca de 300 povos indígenas, cada um com sua cultura, tradição e língua. Isso significa dizer que alguns incorporaram mais que outros os elementos da sociedade não indígena, mas não deixaram sua identidade de lado.

Atualmente, muitas aldeias têm acesso às diferentes ‘modernidades’, tais como luz, computador, internet e celulares. Os indígenas, assim como qualquer pessoa, fazem uso da tecnologia para melhorar sua comunicação ou condição de vida e para divulgar ou registrar seu dia a dia e tradições.

Marcela Jungers Serafim, 8, também de São Bernardo, adora ler histórias em quadrinhos sobre o tema, como as de Papa-Capim, indiozinho criado por Mauricio de Sousa (o ‘pai’ da Turma da Mônica) que vive na Floresta Amazônica. “Assim fica mais fácil aprender a forma como eles vivem na floresta. Também já li historinhas sobre a índia Iara (protagonista de uma famosa lenda brasileira).”

Hábitos sobrevivem nos dias atuais

Apesar de cada nação de índios possuir a própria cultura, existem alguns elementos que são comuns a praticamente todos os indígenas brasileiros. Além de se alimentarem com muitos peixes, frutas, legumes e raízes, (como a mandioca), eles costumam tomar banho várias vezes ao dia, seja nos rios ou em lagos. Os homens costumam sair juntos para caçar animais e o grupo faz cerimônias e rituais com dança e música, todos com pinturas pelo corpo. Outra curiosidade é que surgiu com os índios o hábito de tratar doenças com ervas encontradas na mata, sem contar a realização de momentos especiais de cura, comandados por um pajé (líder espiritual).

As crianças, desde muito pequenas, são ensinadas a fazer atividades do dia a dia e participar das festas conforme vão alcançando a vida adulta. A maioria dos índios vive em casas feitas com elementos naturais (troncos, galhos de árvores, palhas, folhas e barro). “O que mais gosto nos indígenas é a forma como eles respeitam a natureza. Eles pescam, caçam para se alimentar, plantam, mas tudo isso para sobreviverem”, conta Rafaela Gardin Paduano, 10 anos, também aluna do Centro Educacional Jean Piaget. “Precisamos aprender com eles”.

Morena Flor Dantas, 6 anos, admira a forma como dançam, cantam e montam as coisas. “Fazem colar, roupas, vasilhas com barro”, conta.

Aldeias se distribuem pelo Brasil

Existem povos indígenas em todos os Estados do Brasil. Segundo resultados do Censo Demográfico (estudo feito para revelar informações sobre o País), realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2010, a atual população indígena brasileira é de 817.963 pessoas – desse total, 502.783 vivem na zona rural e 315.180 habitam as áreas urbanas.

Dados levantados pela Funai (Fundação Nacional do Índio, entidade do governo responsável por promover e proteger os direitos dos povos indígenas no Brasil) revelam um mapa bem informativo. Em algumas regiões podemos notar que o número de índios é maior, como é o caso do Estado do Amazonas, responsável por abrigar metade das 305,8 mil pessoas que estão na região Norte e onde fica a Floresta Amazônica.

O Nordeste fica em segundo lugar, com 208,8 mil indígenas. Dentro da região, a Bahia é o Estado que se destaca. Em seguida estão Centro-Oeste (130,4 mil pessoas, cuja maior parte está em aldeias no Mato Grosso do Sul), Sudeste (97,9 mil, com destaque para São Paulo) e Sul (74,9 mil índios, com maior concentração no Rio Grande do Sul).

Um dos vários grupos é o Xavante, como ficou conhecido pelos brancos, ou Auwe, como se autodenomina, que vive há muito tempo na região Centro-Oeste. Para esse povo, o contato com o restante do Brasil ocorreu há poucas décadas. Foi nos anos 1940, depois de um tempo difícil de muitos conflitos, que eles decidiram ‘pacificar os brancos’ e estabelecer contato.

CURIOSIDADES: Na maioria das aldeias, as casas já são de alvenaria (com tijolos). Mas, especialmente na região Norte, muitos grupos ainda fazem suas moradias de modo tradicional, usando madeira e plantas nativas;

Há três línguas de origem indígena: o tupi (ou macrotupi), o macrojê e o aruak, dependendo da aldeia e da região onde moram. M uitos índios, atualmente, conseguem falam português.  

Leia também:

Projeto Muntu ensina professores e público em geral, como africanizar a educação


Curta a nóticia:
Curta o CEERT: