Fundo da ONU elogia ações da Bahia para promover participação das mulheres na economia do semiárido

Autor: Redação Nações Unidas no Brasil Data da postagem: 14:00 05/12/2018 Visualizacões: 399
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Representantes do FIDA e do governo da Bahia assinam documento de revisão do Pró-Semiárido / Foto: SDR - André Frutuôso - Reprodução - Nações Unidas no Brasil

Representantes do governo da Bahia e do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), um organismo das Nações Unidas, reuniram-se em novembro (30) para avaliar a execução do Pró-Semiárido, projeto que fomenta o crescimento sustentável em 32 municípios. Iniciativa foi elogiada por especialistas da ONU por promover, de forma pioneira, a participação das mulheres e jovens nas economias locais.

Um dos destaques do encontro foram as ações em prol da igualdade de gênero, como a Ciranda das Crianças, que assegura a participação das mulheres nas atividades do projeto. Outra estratégia voltada para as agricultoras familiares é a Caderneta Agroecológica, ferramenta que permite monitorar a produtividade das mulheres em seus quintais. Esse tipo de intervenção acontece pela primeira vez em programas do FIDA no Brasil.

Gestores estaduais e representantes do fundo da ONU também discutiram o atual trabalho com a juventude, com a contratação de agentes comunitários. Esses mobilizadores são jovens contratados pelo Pró-Semiárido para engajar a população.

Na avaliação do FIDA e do governo baiano, o programa avançou ainda na promoção do acesso à água, com a construção do Fusegate. Instalado na barragem de Ponto Novo, esse sistema de armazenamento melhorou o abastecimento da população local e as práticas de irrigação.

Durante a reunião, a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) também lembrou a preparação de acordos de cooperação técnica com consórcios de prefeituras. Na avaliação da pasta, isso representa um ganho em termos de envolvimento dos serviços públicos municipais com o Pró-Semiárido.

“Queremos ver autonomia e sustentabilidade no campo. Para isso, o investimento em segurança hídrica, produção, beneficiamento e comercialização dos produtos da agricultura familiar é a nossa prioridade”, afirmou no encontro o secretário de Desenvolvimento Rural, Jerônimo Rodrigues.

“O Pró-Semiárido é ambicioso e vai superar os seus objetivos”, acrescentou o diretor do FIDA no Brasil, Claus Reiner.

O diálogo entre a agência da ONU e as autoridades aconteceu após uma missão do FIDA a dez municípios cobertos pelo projeto. Especialistas das áreas de meio ambiente e mudanças climáticas, gênero, juventude, raça e etnia, gestão financeira e compras visitaram as iniciativas do Pró-Semiárido em 36 comunidades de Casa Nova, Capim Grosso, Caem, Campo Formoso, Juazeiro, Itiúba, Ponto Novo, Remanso, Senhor do Bonfim e Uauá.

A viagem da delegação teve por objetivo analisar o progresso do Pró-Semiárido até o momento. As observações dos participantes da missão embasaram um documento de revisão da iniciativa, com indicações de ajustes necessários. O termo foi assinado na reunião pelo FIDA e pela Secretaria de Desenvolvimento Rural.

O Pró-Semiárido está presente nos municípios com os mais baixos índices de pobreza do semiárido baiano. O programa é executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional, empresa pública vinculada à SDR.

Governo baiano firma parceria para valorizar uso sustentável da biodiversidade

Também na semana passada (29), a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional firmou um convênio com o movimento Slow Food, a fim de valorizar a cultura alimentar da Bahia, promover o uso sustentável da biodiversidade local e ampliar o acesso de produtores a mercados.

Ao longo do primeiro ano da parceria, serão identificadas comunidades e novos produtos, que a Slow Food planeja apresentar para renomados chefs de cozinha. O objetivo é fortalecer as cadeias da agricultura familiar. No segundo ano, a cooperação vai criar materiais audiovisuais e editorais sobre a região beneficiada.

“As cooperativas que produzem alimentos gerados pela produção de agricultores e agricultoras familiares estão em diferentes estágios, mas todas possuem a garantia da qualidade dos produtos, gerados a partir de uma perspectiva agroecológica, sem a utilização de venenos. E essa é uma boa agenda para celebramos nesse próximo período e que vai ajudar muita gente”, ressaltou Jerônimo Rodrigues.

Georges Junior, presidente da associação Slow Food do Brasil, afirmou que a Bahia é um grande celeiro de ideias para aproximar o produtor do mercado consumidor. “Essas cadeias curtas, que são objetos do nosso fomento, alimentam o mundo de forma sustentável. Precisamos mostrar isso para o mundo. O Slow Food age localmente e projeta mundialmente”, explicou.

O oficial do FIDA, Hardi Vieira, disse que o organismo da ONU “já tem desenvolvido um trabalho próximo e colaborativo com o Slow Food”. “É uma importante parceria para nós”, completou o especialista.

O Slow Food promove produtos artesanais de qualidade, cultivados de forma que respeite tanto o meio ambiente quanto as pessoas responsáveis pela produção. O movimento opõe-se à tendência de padronização do alimento no mundo e defende a necessidade de que os consumidores estejam bem informados. A iniciativa tem escritórios na Itália, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, França, Japão, Reino Unido e apoiadores em 150 países.

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