O novo beachwear: qualquer corpo é um corpo de verão

Autor: Luigi Torre Data da postagem: 17:00 27/12/2017 Visualizacões: 4528
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Swimsuits for All (Swimsuits for All/Divulgação)

As marcas de praia da vez insistem que deixemos a paranoia com a barriga negativa e outras loucuras fitness de lado.

Se a praia é mesmo o lugar mais democrático que existe, há um sério descompasso entre o que se veste nela e na passarela. Na edição de verão 2108 SPFW, cinco desfiles mostraram exclusivamente propostas de beachwear. Em todos eles, o casting era apenas de corpos magros e esculturais. Isso numa temporada dedicada a promover a diversidade.

A solução existe e está principalmente na internet. Conforme mais pessoas entendem as redes sociais como amplificadores de ideias, um novo grupo de marcas está mudando a relação de muita gente com o próprio corpo. É o caso dos e-commerces Bambina Beachwear, Flaminga e Swimsuits for All. “Insistir em um único ideal de beleza é um péssimo negócio”, diz Sara Mitzner, vice-presidente de criação e branding da Swimsuits for All. “A demanda por variedade é enorme. Você vê isso nos posts e comentários nas mídias sociais e em pesquisas de mercado”, afirma. A marca norte-americana foi uma das primeiras a expandir sua grade do tamanho 4 ao 34 dos EUA. O sucesso veio depois das parcerias com a blogueira Gabi Gregg e a modelo Ashley Graham. “Quanto mais as pessoas se enxergarem nas campanhas, mais se sentirão confiantes”, diz Sara.

A própria Gabi fala sobre isso: “Vi a comunidade plus size realmente frustradacom a falta de opções de roupas de banho. Foi quando decidi compartilhar fotos minhas de biquíni e a reação foi muito positiva. Como em outras categorias de moda, muitas pessoas assumiam que alguém acima de determinado tamanho deveria ter vergonha do seu corpo”, fala a blogueira.

Olhar antigo, ideia errada. Como atesta Sylvia Sendacz, da Flaminga, uma loja virtual que vende outras marcas de beachwear, além da própria etiqueta, a Bold Beach. “Logo que começamos a trabalhar com moda praia, apostamos muito em maiôs, achando que mulheres gordas não gostavam de usar biquínis. Hoje, os biquínis são o nosso carro-chefe.”

Quando Déborah Vinci e Karolina Bueno criaram a Bambina Beachwear, também não faziam ideia do potencial de mercado em que investiam. No início, os tamanhos eram limitados, mas a oferta foi logo ampliada – hoje elas vão até o 60. Os desafios ainda são muitos. A dupla fala na resistência de autoaceitação das clientes e no apoio fraco de multimarcas. “Enquanto tivermos apenas um tipo de corpo aceito como ‘corpo de praia’, muitas mulheres se sentirão infelizes e se esconderão”, opina Karolina.

Fora das redes, mudanças ainda são tímidas. Pouco se vê sobre o assunto em produções mainstream de TV e cinema, por exemplo. “E mesmo quando discutimos diversidade de corpo, continuamos a ver tipos específicos sendo celebrados. A silhueta de ampulheta, pele clara e tronco menor é o corpo que observamos como cartaz”, explica Gabi. “Precisamos olhar para mais formas corporais para que exista uma diversidade real, e não apenas mais uma hashtag”, continua ela.

Nas passarelas, começamos a ver uma mudança de consciência. A Chromat, grife da norte-americana Becca McCharenTran, desfila em Nova York com casting que passa longe do padrão. “Acredito que toda marca de moda deveria celebrar a inclusão e a representatividade. Não posso esperar para que a diversidade não seja mais notícia, seja apenas natural”, diz ela. Por aqui, Ronaldo Fraga fez seu primeiro desfile de beachwear – e todo com modelos de diferentes idades e tipos físicos. “O Brasil é conhecido pela moda praia, mas a imagem que se vende é anglo-saxônica. Nada a ver com o nosso povo”, arremata ele.

 

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