Judith Butler, o ‘queer’ para unir as minorias através da diferença

Autor: Mª Ángeles Cabré Data da postagem: 10:00 02/10/2017 Visualizacões: 493
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Filósofa estadunidense faz palestra no Sesc em São Paulo no próximo dia 7 de novembro

Judith Butler, teórica do movimento queer e antes de tudo uma feminista de pensamento global, talvez  seja a feminista com mais gabarito internacional e a que está prestes a deixar um rastro maior. Em uma de suas passagens por Barcelona, ela falou sobre a violência de Estado e insistia em que pertencer ao movimento queer implicava uma defesa da aliança entre diversas minorias “por meio da diferença”, ou seja, que conseguir “uma aliança forte da esquerda” passava por combater políticas favoráveis à discriminação, citando sobretudo as minorias sexuais, raciais, religiosas e as mulheres.

Em 2015 ela voltou a Barcelona e foi prolixa mais uma vez sobre essas questões e outras de igual calado. Além de uma conferência dada perante uma numerosa multidão _Butler tem um grande poder de convocatória_, ela deu ainda uma entrevista pública, também diante de um enorme público. Nós tivemos à época, portanto, dupla ração de Judith Butler, uma pensadora nem sempre fácil de se ler, mas que, no entanto, é enormemente inteligível quando a escutamos. Ela mesma alude à “clareza incomunicável” da filosofia em Undoing Gender(desfazendo o gênero), apesar de nesse mesmo livro se confessar uma pensadora que escreve em contextos interdisciplinares em um tempo em que a filosofia se encontra a si mesma fora de si mesma (Hegel).

O pensamento de Butler, atualmente professora da Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos, foi evoluindo desde a publicação de sua primeira obra, Problemas de Gênero – Feminismo e Subversão da Identidade, um arrazoado fundacional do gênero entendido como uma construção cultural que conduz à asfixiante normatividade. É sabido que esses títulos e outros trabalhos a consagraram como a grande teórica do movimento queer, o que não é pouco. Mas Butler é muito mais. E partindo dessa base, a do ativismo em favor da plena liberdade sexual –que vai muito além da luta contra a heteronormatividade–, a filósofa norte-americana caminha com grande aprumo até rotas muito menos foucaultianas e mais arendtianas, assim dizendo com uma simplicidade que os especialistas saberão desculpar.

Na linha de pensadores como Martha Nussbaum, que transita também por várias disciplinas, a filosofia política e a ética se constituíram nestes últimos anos nas areias movediças particulares de Judith Butler, com títulos como The Psychic Life of Power: Theories in Subjection (mecanismos psíquicos do poder: teorias sobre a sujeição) que evidenciam que uma de suas principais preocupações se acha nas múltiplas variantes do poder como garantidor da impossibilidade de ser livremente, sem excluir, claro, o poder sobre os corpos, mas incluindo outros como o que condena grupos imensos à precariedade. Uma resistência política em frentes díspares à qual parece querer consagrar-se.

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