Ex-zagueiro Júlio César será o primeiro técnico brasileiro negro com licença da Uefa

Autor: Marjoriê Cristine Data da postagem: 15:00 12/04/2018 Visualizacões: 742
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Júlio César em evento com crianças da Fundação Real Madrid / Foto: Ana Branco - Agência O Globo - Reprodução - Extra

Ex-zagueiro de times como Milan e Real Madrid, dono de um currículo que inclui o título da Liga dos Campeões de 2000 com a equipe espanhola, o maranhense Júlio César Correia aposentou-se dos campos há cerca de quatro anos. E viu no banco de reservas seu futuro, próximo de ser concretizado: ser treinador. Em junho, ele receberá o diploma Uefa Pro, nível máximo de formação de técnicos na Europa, e se tornará, aos 39 anos, o primeiro brasileiro negro a ter licença para comandar times de futebol profissional no continente europeu.

— Foram dois anos e meio de curso até entrar num estágio do Real Madrid. Trabalho com as categorias sub-14 a sub-18, ao lado do Raúl (ex-atacante ídolo do clube) — contou Júlio César, que mora em Madri: — Penso em trabalhar como auxiliar nos dois primeiros anos, para depois começar a empreitada como treinador.

Mas o fato de ser o primeiro brasileiro negro com Uefa Pro não envaidece o ex-jogador. Formado em marketing esportivo e gestão de empresa esportiva, ele não gosta de levantar a bandeira racial e prefere dizer que é só alguém que ganhou um título importante em razão de seu esforço.

— Para mim, não existe a cor, existem pessoas. Vejo a questão racial como uma ignorância. Ter este documento me custou muitas horas de estudo, de pensamento, de esforço. Uma briga psicológica grande — lembrou Júlio César, que cresceu na periferia de São Luís (MA) e frequentou escolinha de futebol paga com muito esforço pela mãe, manicure na época: — Sou muito orgulhoso se tenho que estar representando uma classe baixa, menos favorecida. Eu me coloco na frente e represento com todo orgulho, mas que saibam que sou uma pessoa.

O ex-zagueiro acompanha o futebol brasileiro, mas não passa por sua cabeça assumir um clube no país. Seu objetivo é ter uma carreira internacional, assim como fez como jogador — ele nunca atuou profissionalmente no Brasil:

— Vejo essa rotatividade, que virou cultural aqui. Olha, se não aceitei jogar no Brasil, não aceitaria treinar um time. Vivo em outro ambiente. Não penso, não está nos meus planos.

Julio Cesar Correia / Foto: Ana Branco - Agência O Globo

Inspiração num técnico carioca com carreira internacional como a dele

Se o futebol no país não enche os olhos de Júlio César, há um técnico brasileiro linha dura que lhe serve de inspiração: o carioca Tuca Ferretti, de 64 anos, do mexicano Tigres, onde o ex-zagueiro jogou entre 2005 e 2006. Ferretti coleciona bons resultados nos campeonatos do México e até mesmo na Copa Libertadores, cuja final disputou em 2015.

— Tive vários treinadores bons e, de cada um, pego pontos importantes. Mas tive apenas um brasileiro, o Tuca Ferretti. Uma pessoa rígida, muito militar, tratava de fazer as coisas em uma linha reta, estilo italiano. Taticamente é muito organizado e bom, passou toda a vida lá no Tigres — explicou Júlio César.

O ex-jogador esteve no Brasil no fim de março depois de ser nomeado embaixador das Clínicas da Fundação Real Madrid. Ele visitou um dos espaços que recebe o projeto social do clube espanhol: o Oratório Mamãe Margarida Youth Center, em Santa Rosa, em Niterói.

— Fiquei feliz pelo convite. Estou resgatando tudo que aprendi durante toda a minha vida, a minha carreira, e tendo a oportunidade de devolver ao futebol tudo que ele me deu — afirmou Júlio César.

Julio Cesar Correia / Foto: Ana Branco - Agência O Globo

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