Cida Bento discute a identidade racial na infância em Seminário Raça e Educação – 30 anos

Autor: Caroline Queiroz - Redação CEERT Data da postagem: 17:15 01/06/2017 Visualizacões: 567
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Participantes do Seminário Raça Negra e Educação em São Paulo. Foto: Equipe CEERT.

Trinta anos após o primeiro encontro, a sede da Fundação Carlos Chagas foi palco para o 2º Seminário Raça Negra e Educação em São Paulo. O evento aconteceu na última terça-feira (30) e recebeu a presença de diversos estudiosos nos campos da educação, sociologia e psicologia, bem como ativistas do movimento negro

A ocasião teve como objetivo analisar o documento publicado em 1987 para identificar avanços obtidos e os campos que necessitam de melhorias. Durante a abertura, Sandra Unbehaum, socióloga e membro de pesquisadores da Fundação Carlos Chagas, mencionou que muita coisa aconteceu, mas que ainda há muito o que mudar.  Ela conclui que “os tempos são outros, mas essas conquistas não se perdem facilmente”.

Além de refletir sobre a questão da estruturação de relações raciais em São Paulo, sobretudo no campo da educação por meio da produção de professores, pesquisadores e militantes locais, o legado do seminário é rediscutir a pauta nas escolas de 1º e 2º grau e levantar questões fundamentais como o orçamento: de onde vem e para onde vai.

Programação

A primeira mesa, “Desigualdades: avanços e persistências”, contou com a participação do historiador e professor Carlos Eduardo Dias Machado, da professora doutora Elisabete Aparecida Pinto e da professora doutora e diretora executiva do CEERT Cida Bento.

Cada convidado compartilhou suas experiências e anseios quanto à temática e tais aspectos convergiram para o pensamento do quão essencial é entender a subjetividade do indivíduo na educação, ainda mais no ensino infantil. Este trabalho resulta no fortalecimento da juventude negra a xpressiva presença em espaços de poder.

Cida Bento explica que a educação infantil é a mais importante na formação da identidade racial e sintetiza isso ao dizer: “A identidade negra tem duas importantes redes: meu corpo e meu grupo. Como eu me relaciono com essas redes irá determinar meu desempenho na escola e nas demais instituições”. 

Sob o tema “Cultura e Identidade”, a segunda mesa teve como palestrantes a professora de matemática Anna Luisa Castro, do professor da Unesp Dagoberto José Fonseca, o poeta e professor Luiz Silva (Cuti) e da professora doutora Valquíria Pereira Tenório.

A mesa tratou da necessidade de se incluir no currículo escolar pautas como cultura e identidade e salientou que a representatividade no quadro de docentes é inexpressiva. Neste ponto, a professora Anna Luisa desabafa que “é inaceitável que, em uma sociedade de maioria negra, só exista três professores na escola em que trabalha” e complementa que as ações precisam ser repensadas.

Já terceira mesa, sob coordenação de Alessandra de Cássia Laurindo, trouxe a pedagoga Bel Mayer, o antropólogo José Carlos Gomes da Silva e o doutor em Ciências Sociais Josmar Brandão Coutinho que Juntos discorreram sobre “Políticas Sociais e Educacionais”.

Após a leitura do poema “Tempo de água que escorre dos olhos poema”, de Ninfa Parreiras, Bel Mayer destacou o quão nocivo é este sistema que tanto diz não para as crianças negras. Com isso a pedagoga ressalta relevância de desconstruir estereótipos e parafraseia a psicológica Vanessa Andrade: “Não basta dizer para a criança que é lindo ser negro, precisamos inseri-la na própria cultura e suporte literário para isso não falta. Além disso, a lei 10.639 nos dá esse respaldo ”

O próximo encontro está previsto para acontecer na UNIFESP no mês de agosto.

Fotos: Equipe CEERT.

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