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Negros são 70% das vítimas de assassinatos

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Por: MARIA PLANALTO
Postagem: 15:15 07/01/2014
Negros são 70% das vítimas de assassinatos

Pela primeira vez no Brasil, o número de cidadãos negros é 6,5% superior ao de brancos. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseado em dados do IBGE (2010), aponta que 97 milhões de brasileiros se declararam negros (pretos ou pardos). Contudo dados divulgados pelo Instituto aponta que a cada três assassinatos no País, dois, vitimam negros. Conforme a pesquisa os assassinatos se relacionam à cor, condição social e escolaridade. A possibilidade de o negro ser vítima de homicídio no Brasil é maior inclusive em grupos com escolaridade e características socioeconômicas semelhantes. A chance de um adolescente negro ser assassinado é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos. O diretor do Instituto Daniel Cerqueira aponta que os negros são ainda as maiores vítimas de agressão por parte de polícia. Em 2009, por volta de 6,5% dos negros sofreram uma agressão que tiveram como agressores policiais ou seguranças privados, contra 3,7% dos brancos. “Eu já trabalhei em vários departamentos comerciais e já presenciei inúmeras vezes, os seguranças redobrar a atenção na loja porque um jovem negro entrou. Toda vez que um negro entrava eles (os seguranças) ficavam atentos, havia uma classificação que o negro seria uma marginal”, conta a jornalista Dhieny Franciele Arêbalo, de 21 anos. Ela acrescenta, “já vi muita gente da minha cor ser abordada por policiais, eu nunca fui, acredito que por ser mulher”. A jornalista lembra que, quando criança, ela sofreu com as brincadeiras e desconfianças por causa da cor de sua pele, mas ela acredita que hoje o preconceito é menor, porém não nula. “Existe sim tratamento diferenciado por causa da sua cor. Eu já tive um professor de universidade que me tratou de forma diferente, só que eu preferi entender que ele não foi com a minha cara.” HOMICÍDIOS Daniel Cerqueira revela que mais de 60 mil pessoas são assassinadas por ano no País e há um forte viés de cor e condição social nessas mortes. “Numa proporção 135% maior do que os não-negros. Enquanto a taxa de homicídios de negros é de 36,5 por 100 mil habitantes, no caso de brancos, a relação é de 15,5 por 100 mil habitantes”. Nas regiões do Norte, Nordeste e Centro-Oeste os dados são mais preocupantes. Goiás lidera o ranking de homicídios de negros da região central do País, além de estar acima da média nacional. A taxa de assassinato de negros é de aproximadamente 44,5 por 100 mil habitantes, contra 16,5 por 100 mil habitantes dos brancos. Já em Mato Grosso são aproximadamente 39,5 negros para cada 100 mil habitantes, e em Mato Grosso do Sul o número é de 32,5. EXPECTATIVA DE VIDA “Há uma perda na expectativa de vida devido à violência letal 114% maior para pessoas negras. Enquanto o homem negro perde 20 meses e meio de expectativa de vida ao nascer, a perda do branco é de oito meses e meio”, afirma o diretor do Ipea. De acordo com projeções do estudo, pelo menos 36.735 brasileiros entre 12 e 18 anos serão assassinados até 2016, em sua maioria por arma de fogo, em caso de se manter o atual ritmo de violência contra os jovens. Trata-se do maior nível desde que o índice começou a ser medido em 2005, quando a taxa era de 2,75 adolescentes assassinados por cada mil. Para Almir de Oliveira Júnior, pesquisador Ipea, se no Brasil a exposição da população, como um todo, à possibilidade de morte violenta já é grande, ser negro corresponde a pertencer a um grupo de risco. A jornalista Dhieny ressalta que a maioria dos jovens negros são moradores das periferias, onde o número de assassinato é maior, justificando os dados. Juventude Viva Em resposta a esse desafio, o Governo Federal lançou a primeira fase do Plano Juventude Viva. Sob a coordenação da Secretaria-Geral da Presidência da República, por meio das secretarias Nacional de Juventude e de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o Plano Juventude Viva é fruto de articulação interministerial para enfrentar a violência contra a juventude brasileira, especialmente os jovens negros, principais vítimas de homicídio no Brasil. Em Aparecida de Goiânia está marcado para este mês uma visita da equipe federal para a articulação e criação do plano no município. Construído por meio de um processo amplamente participativo, o plano reúne ações de prevenção que visam a reduzir a vulnerabilidade dos jovens a situações de violência física e simbólica, a partir da criação de oportunidades de inclusão social e autonomia; da oferta de equipamentos, serviços públicos e espaços de convivência em territórios que concentram altos índices de homicídios; e do aprimoramento da atuação do Estado por meio do enfrentamento ao racismo institucional e da sensibilização de agentes públicos para o problema. Fonte: DM.com.br

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