O mapa que usa indicadores de cuidado com crianças para expor a desigualdade em SP

Autor: Ana Beatriz Rosa Data da postagem: 15:00 05/12/2017 Visualizacões: 768
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"O mapa mostra os dados para a gente ter um olhar sobre como estamos tratando nossas crianças e, consequentemente, que futuro estamos construindo", diz Jorge Abrahão, coordenador da pesquisa / Foto: Fric Soltan - Getty Images - HuffPost Brasil

Na Sé, uma criança tem 22 vezes mais chances de morrer antes de completar um ano se comparada a uma criança que mora em Perdizes.

Na Sé, distrito da zona central de São Paulo, uma criança tem 22 vezes mais chances de morrer antes de completar um ano se comparada a uma criança que mora em Perdizes, na zona oeste da capital. Os dados são referentes do Mapa da Desigualdade da Primeira Infância, elaborado pela rede Nossa São Paulo em parceria com a Fundação Bernard van Leer, divulgado nesta terça-feira (5).

O estudo inédito foca na população de zero a seis anos e busca mapear as regiões mais vulneráveis para os pequenos que vivem na capital paulistana. Na região do Jardim Paulista, bairro nobre da zona oeste, por exemplo, nenhuma criança corre risco de perder a vida na primeira infância.

Quando o tema é educação, uma criança que mora em Vila Andrade pode esperar até 442 dias para conseguir uma vaga em uma creche municipal. O distrito da zona sul tem a maior fila de espera e é um dos mais desiguais da cidade, já que compreende tanto o bairro nobre do Panamby, quanto a favela de Paraisópolis. Enquanto isso, em Guaianases, no extremo leste da cidade, a espera é de 26 dias.

São Paulo tem 1,4 milhão de crianças com idade entre zero e nove anos, de acordo com o IBGE. O número equivale a quase 10% da população total da cidade, que está na casa dos 11 milhões, segundo o último censo demográfico feito em 2010. Para o coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão, o mapa surge da necessidade de entender quem são essas crianças, para além das estatísticas.

"Onde elas vivem e como estão vivendo? O mapa mostra os dados para a gente ter um olhar sobre como estamos tratando nossas crianças e, consequentemente, que futuro estamos construindo", argumenta o coordenador em entrevista ao HuffPost Brasil.

Além de criar o Observatório da Primeira Infância, a rede Nossa São Paulo pretende que o mapa funcione como instrumento de referência na formulação de políticas públicas por parte das gestões municipais.

São 130 indicadores condensados em uma plataforma digital aberta a consultas públicas. O usuário poderá selecionar e comparar até cinco itens que possuam dados por distrito. Os indicadores contemplam áreas como educação, saúde, assistência social, meio ambiente e direitos humanos e foram aplicados em cada um dos 96 distritos da capital. A ideia é poder identificar as diferenças territoriais da cidade e calcular o fator de desigualdade entre os distritos, a partir da relação entre o melhor e o pior indicador.

"Com esses dados, a prefeitura pode implementar um plano de segurança da primeira infância. Definir orçamento é definir prioridades. É um processo para que o governo entenda a importância de ações para esta população. Mas não é um trabalho dessa prefeitura, somente. A desigualdade que vemos nos índices foi construída há décadas", explica Abrahão.

Na plataforma também estará disponível um "banco de boas práticas" em que experiências exitosas nacionais e internacionais serão coletadas e servirão de incentivo para as políticas na área da infância. Ainda, o cidadão que tiver sugestões também poderá encaminhá-la para a plataforma.

Foto: Corbis - Getty Images

Dados do Mapa da Desigualdade da Primeira Infância

Pior distrito: O Grajaú lidera o ranking de pior distrito da cidade, citado 20 vezes entre os 30 piores nos indicadores. Cachoeirinha, Jardim Ângela e Brasilândia continuam a lista.

Agressão às mulheres: O distrito de Itaim Paulista, na zona leste, teve 258,26 (a cada 100 mil mulheres) internações de mulheres de 20 a 59 anos em decorrência de agressões.

"O outro Mapa da Desigualdade [publicado em outubro], mais amplo, mostra que 22% das mulheres adolescentes de até 18 anos estão grávidas no Perus, já no Jardim Paulista esse índice é 1%. Essas crianças vão ser a estatística daqui para frente. É fundamental que a gente construa saídas, senão reforçamos essa desigualdade"

Jorge Abrahão

Pré-Natal: No Jardim Helena, mais de 40% das gestantes fizeram menos de sete consultas pré-natal durante a gravidez.

Violência Sexual: Pelo menos 43 distritos têm registros de violência sexual contra crianças de zero a cinco anos de idade em São Paulo.

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