Reconhecendo as Influências da Cultura Africana no Cotidiano e na Formação Indentitária

Sônia Iraci Junqueira e Patrícia Mara Estrela Manso - Escola Estadual Parque dos Servidores - Ribeirão Preto – São Paulo

Reconhecendo as Influências da Cultura Africana no Cotidiano e na Formação Indentitária Por: Juliana de Souza Mavoungou Yade e Shirley Santos

“...Os filhos dos nossos alunos da EJA, receberam a revista com os resultados de todas as atividades protagonizadas por seus pais e a comunidade no projeto” – (Africanidades na EJA)

Africanidades, uma intencionalidade transformadora!

A divulgação na “I Conferência ERER” ocorrida em 30 agosto de 2013, na cidade de Ribeirão Preto e a apresentação do projeto na “I Conferencia Estadual das Relações Étnico-Raciais: 10 anos da lei 10.639/03 ” ocorrida em 12 de setembro do mesmo ano na Assembleia Legislativa de São Paulo, foram momentos importantes do projeto “Africanidades na EJA”.

A valorização e reconhecimento de nossas africanidades é um caminho individual, mas também coletivo. A professora Sônia relatou que sua motivação para trabalhar as relações raciais com os alunos (as), adveio de sua experiência de vida, perpassada por preconceitos, baixo-estima e desvalorização da estética negra. Seu empoderamento ocorreu no reconhecimento do outro, também negro, e na busca de sua própria história e suas origens.

A professora Patrícia contou que já trabalhava com os (as) alunos (as) da EJA as questões pertinentes à história e cultura africana e afro-brasileira na disciplina de história e se sentia incomodada com a ausência da temática no currículo e nos livros didáticos. As professoras, Sônia e Patrícia, trabalhavam a temática étnico-racial isoladamente em suas disciplinas e foi mediante a solicitação por parte da direção da escola para a escrita de um projeto que convergiram suas ações, antes, individual para benefício do coletivo, assim surgiu o projeto “Africanidades na EJA”.

A prática se constituiu por meio da interdisciplinaridade e culminou em ações que perpassaram diversas áreas do conhecimento. Dentre as atividades desenvolvidas, ocorreram: confecção de gráficos e análise dos resultados sobre: etnia, racismo e discriminação no ambiente escolar, no trabalho e na comunidade; fotografia; relatos pessoais dos (as) estudantes; produções artísticas; produção de textos de variados gêneros; webquest: pesquisa sobre história e Cultura Africana. O conhecimento gerado a partir das atividades descritas se tornou matéria prima para a elaboração de uma revista.

O trabalho ofereceu aportes para repensar as estruturas sociais e da cidadania, através da palestra tematizada por “A inserção do afrodescendente no mercado de trabalho” atividade aberta ao público e ministrada pelo escritor local José Carlos Barbosa. A finalização do projeto deu-se com a Feira Cultural realizada na Semana da Consciência Negra com a exposição dos trabalhos desenvolvidos e a distribuição da Revista que continha os resultados de todas as atividades protagonizadas pelos (as) alunos (as) e pela comunidade, exemplares foram entregues às famílias dos (as) alunos (as).

Toda essa riqueza foi possível porque as docentes não ignoraram os conteúdos históricos, culturais, sociológicos, econômicos, geográficos presentes nas africanidades. Notemos que, com o desenvolvimento do projeto, a voz, o pensamento dos (as) estudantes foram potencializados através da língua escrita e vislumbramos a EJA escrevendo sua história!

Com amplo envolvimento dos (as) estudantes e comunidade escolar, o projeto resultou na superação de atitudes discriminatórias e racistas; cumprimento da Lei n° 10.639/2003 ; publicitação do Projeto em conferências sobre temática étnico-racial; confirmando que as africanidades referem-se a uma intencionalidade transformadora dos modos de se relacionar consigo mesmo, com o outro e com a coletividade e possibilitam aos/as estudantes e professores/as a revisão de suas histórias de vida.

O que nos faz reafirmar nas palavras da Professora Patrícia que: “a Educação das Relações Étnico-Raciais é um direito do adulto que está na EJA”


1 - Africanidades Brasileiras- Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. Disponível em: www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo6/questoes_etnico.../Africanidades.pdf
2 - Lei que trata da obrigatoriedade do Ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nas redes públicas e particulares de educação.
3 - Inclusão e implementação da educação das relações étnico- raciais no Ensino Médio- EJA. Disponível em: http://seer.ufrgs.br/CadernosdoAplicacao/article/view/27226

Africanidades na EJA

Ficha da prática

Categoria: Professor - Processo Universal

Professor: Sônia Iraci, professora de Língua Portuguesa na EJA e Patrícia, professora de História na EJA – Processo Universal

Professores(as) envolvidos(as): Sônia Iraci Siqueira (língua-portuguesa), Patrícia Mara Estrela Manso (história), Sônia Elisama Aissa (arte), Eveline Bis (arte), Ricardo Lopes Rossi (arte).

Ano: 2015

Local: Na Escola Estadual Parque dos Servidores em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Cidade que no passado abrigou espaços de sociabilidades da população negra como os Clubes Sociais Negros e outras manifestações como a Congada e Batuques.

Resumo

O Projeto desenvolvido na Educação de Jovens e Adultos (EJA) objetivou valorizar a cultura africana através de atividades interdisciplinares, tais como: aulas dialogadas, pesquisa de campo, elaboração de gráficos, relatos pessoais e produções artísticas, sempre com a finalidade de aplicar todo aprendizado obtido em uma convivência ética e democrática, com respeito à diversidade étnico-cultural, no efetivo cumprimento da lei n. 10.639/03.

Objetivos

Conhecer e aprofundar os estudos sobre a história da cultura africana e suas influências no cotidiano e na formação identitária; conscientizar e aplicar os valores de convivência democrática, ética, o respeito aos direitos humanos e à diversidade étnico-cultural, identificar a origem das desigualdades sociais e culturais impostas historicamente.

Metodologia

Aulas expositivas dialogadas para introdução ao Projeto Africanidades na EJA. Pesquisa de campo com coleta de dados e relatos no ambiente de trabalho e nos setores sociais, nos quais convivem tabulação e análise dos dados obtidos. Leitura, interpretação, análise e produção interdisciplinar de textos dos diversos gêneros textuais (gráficos, tabelas, mapas, artigos de opinião, campanha publicitária, ilustração). Produção da revista compilando todas as atividades trabalhadas durante o projeto.

Principais atividades desenvolvidas

Pesquisa de campo, confecção de gráficos e análise dos resultados obtidos sobre etnia, racismo e discriminação no ambiente escolar, no trabalho e na comunidade. Elaboração de relatos pessoais sobre atitudes discriminatórias e racistas vivenciadas ou presenciadas pelos alunos. Webquest: pesquisas sobre a história e cultura africana. Releitura de obras de arte: técnica de fotografia, reproduzindo-as como protagonistas e uso de materiais recicláveis. Palestras sobre a inserção do afrodescendente no mercado de trabalho, feita pelo escritor da cidade José Carlos Barbosa paraos alunos e aberta à comunidade escolar, . Feira culturalrealizada durante a semana da Consciência Negra, com degustação de comida típica afro-brasileira, exposição e socialização dos trabalhos desenvolvidos e entrega de revista "Africanidades na EJA”, impressa, colorida, com 12 páginas, para cada um dos visitantes.

Resultados alcançados

l. Envolvimento de 100% dos alunos durante toda a execução; participação de 70% da comunidade escolar com a socialização da revista "Africanidades na EJA". 2. Conscientização dos alunos sobre suas origens e superação de atitudes discriminatórias e racistas. 3. O efetivo cumprimento da lei n. 10.639/03. 4. Projeto divulgado na I Conferência ERER (Ril). Preto-30/08/2013) e apresentado na I Conferência Estadual da Educação para as Relações Étnico-raciais: 10 anos da lei 10.639/2003. (12/09/2013).

“EJA conhecendo e valorizando as Africanidades Brasileiras para, à luz dos valores africanos, compreender as suas origens e construir novas formas de conviver e lutar por igualdade e dignidade”

Fotos/Imagens acervo do Professor(a) Sônia Iraci Junqueira e Patrícia Mara Estrela Manso

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Shirley Santos Postado em 09/06/2017

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