Já ouviu falar da cidade Pau-Brasil?

Josivaldo Félix Câmara - Centro Educacional Maria Santana - Pau Brasil - BA

Diálogo plural: estudantes, docentes, comunidade e movimento social pela valorização da cultura afro-brasileira. Por: Juliana de Souza Mavoungou Yade1

“Já ouviu falar na cidade Pau-Brasil? ”

Pau-Brasil está localizada no sul da Bahia. A cidade é parte da zona cacaueira e uma importante rota da agricultura nacional. Fazem parte de sua população comunidades ribeirinhas, indígenas, negras, movimento sem-terra e povos de terreiro, que expressam a diversidade sociocultural presente no Brasil.

Você sabia que Pau-Brasil é um dos primeiros municípios que discute a implementação da Lei nº 10.639/03, para atender as peculiaridades do CEMS ?

De modo muito sensível, o educador Josivaldo estimulou um diálogo plural entre estudantes, professores, comunidade, universidade – a UEDEC - e o Movimento Negro Unificado . Nessa interação foram consideradas as expressões de origem afro indígena na educação, aspecto que faz parte da vida de cada um de cada um dos(as) estudantes jovens e adultos(as) da comunidade. Foram feitas pesquisas sobre a formação da favela “Pau-Brasil”, leituras e análises sobre a relação centro/periferia e desigualdades raciais . As trocas de experiência ocorreram em rodas de conversa, oficinas, seminários e aulas de campo. Foram ainda confeccionadas bonecas e houve a apresentações de teatro e dança, atividades que culminaram com um belo momento coletivo, a “Marcha Zumbi dos Palmares”, realizada em 3 edições, sempre homenageando personalidades negras.

Esse processo propiciou desconstruções de um discurso homogêneo sobre pertencimento étnico-racial e um novo interlocutor passou a falar. Eis que surgiu o belo: a reconstrução do espaço a partir da identidade individual e coletiva.

A ação educativa transbordou para além dos muros da escola e dialogou com os princípios educativos previstos na Educação de Jovens e Adultos .

As conexões arquitetadas pelo projeto geraram trocas de experiência, envolvimento do Movimento Negro, da universidade e do Movimento Indígena, além do fortalecimento da autoestima e da identidade negra. A iniciativa mostrou que atentar para os sujeitos da EJA é trabalhar com e na diversidade.


1 - Centro Educacional Maria Santana.
2 - Universidade Estadual de Santa Cruz
3 - Foi realizada a parceria com o MNU de Pau Brasil, o Departamento de Filosofia e Ciências Humanas (DFCH) da UESC e com os indígenas da Reserva Pataxó Hã Hã Hãe, localizada na região desse município.
4 - Trajetórias de exclusão: A educação de jovens e adultos afrodescendentes. Disponível em: http://www. isapg.com.br/2012/ciepg/down.php?id=2712&q=1
5 - Documento Base Nacional. Disponível em: http://www. portal.mec.gov.br/dmdocuments/confitea_docbase.pdf

Projeto Interlocuções África e Diáspora Africana

Ficha da prática

Categoria: Professor - Processo Universal

Professor: Josivaldo, professor na Educação Básica - Processo Universal

Professores(as) envolvidos(as): Josivaldo Félix Câmara

Ano: 2015

Local: O Projeto Interlocuções Africa e Diáspora Africana é planejado e executado pelos alunos, professores na comunidade local no Centro Educacional Maria Santana (Pau Brasil/BA) endereçado em 233, R. do Futuro, 137, Pau Brasil - BA, 45890-000.

Resumo

O Projeto Interlocuções Africa e Diáspora Africana é planejado e executado pelos alunos, professores na comunidade local no Centro Educacional Maria Santana (Pau Brasil/BA) durante todo o ano letivo. As atividades são realizadas em parceria com a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), o Movimento Negro Unificado (MNU) e o Movimento Indígena. São voltadas para o fortalecimento da igualdade racial e efetivadas na rotina das aulas, nos projetos extraclasses e interdisciplinares, apresentados em seminários de culminância.

Objetivos

Estabelecer um diálogo plural entre estudantes, professores, comunidade e movimento negro, possibilitando práticas pedagógicas escolares que desconstruam visões equivocadas acerca da história e cultura africanas e da população negra brasileira, tendo em vista a aplicabilidade da Lei 10.639/03 no CEMS.

Metodologia

Este trabalho integra um projeto maior, desenvolvido desde 2006 em parceria com o MNU de Pau Brasil. Ao longo dos anos, esta parceria se ampliou, incluindo o Departamento de Filosofia e Ciências Humanas (DFCH) da UESC e os índios da reserva Indígena Pataxó Hã Hã Hãe, localizada na região desse município. Em todas as edições do projeto as atividades de estudo, fomentadas pela disciplina História e Cultura Afro-Brasileira, foram realizadas durante o ano letivo com as turmas do 8º e 9º ano e tiveram culminância em novembro, com os seminários temáticos que excedem os muros escolares, visto que na ocasião os alunos do CEMS socializam suas experiências em oficinas e rodas de conversas realizadas por convidados: professores, pesquisadores e militantes do movimento negro com atuação no estado da Bahia.

Principais atividades desenvolvidas

O trabalho consistiu na realização de ações significativas, como: i) organização do Grupo de Teatro Negro e do Grupo de Dança Afro, para fomento da cultura negra e fortalecimento social e intelectual das identidades na escola; ii) a confecção de bonecas negras a partir das reflexões do livro "Menina Bonita do laço de Fita", da autora Ana Maria Machado, que levou ao reconhecimento e à aceitação da cor da pele, dos cabelos crespos e traços étnico-raciais dos alunos; iii) o projeto de investigação sobre a formação das favelas em Pau Brasil e a montagem de uma mini favela feita com material reciclado, tendo por princípio condutor o abismo socioeconômico entre brancos e negros, com os alunos analisando a relação centro-periferia para compreender concretamente a disparidade social e racial na sua comunidade; iv) a oficina A cor ensina a gente, que, a partir da leitura do livro Bonecas Negras, cadê?, propôs uma análise sobre a presença do negro no livro didático e do impacto causado por essas imagens em sala de aula; v) aulas de campo em que os alunos desenvolvem oficinas temáticas, participam de rodas de conversa e realizam apresentações culturais diversas, visando a troca de experiências entre jovens de comunidades afro-brasileiras e indígenas da região; vi) seminários temáticos do mês de novembro, que sistematizam e dão visibilidade às ações cotidianas realizadas ao longo do projeto; vii) três edições da Marcha a Zumbi dos Palmares com intervenções poético/musicais que, precedendo o seminário temático, buscam homenagear personalidades negras locais.

Resultados alcançados

Pau Brasil é um dos primeiros municípios da região sul da Bahia a discutir e a implementar a Lei 10.639/03, em um esforço para atender às peculiaridades dos alunos do CEMS, que, além da comunidade urbana, são oriundos do campo — reserva Indígena Pataxó Hã Hã Hãe, Movimento Sem Terra (MST), comunidades ribeirinhas e de imediações periféricas da cidade. Os resultados alcançados são calçados em metodologias e reflexões que vêm contribuindo positivamente no que diz respeito à diversidade histórica e cultural e no fortalecimento de identidade, trazendo significativas contribuições à população negra desta cidade, bem como fomentando reflexões pertinentes sobre a construção de uma educação antirracista nas escolas.

“E significativo o papel dos fazeres pedagógicos nos processos de construção das identidades sobretudo na descoberta do pertencimento étnico-racial de alunos e professores. ”

Fotos/Imagens acervo do Professor(a) Josivaldo Félix Câmara

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Shirley Santos Postado em 09/06/2017

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